terça-feira, 11 de maio de 2010

As evidências da evolução (parte 3)

A maioria das evidências comentadas até agora estavam relacionadas às mudanças em pequena escala dentro de uma espécie. Por exemplo, os pardais da América do Norte ainda são considerados pardais (Passer domesticus), a mesma espécie daquela que foi inicialmente introduzida. As mudanças causadas pela seleção artificial podem chegar ao limite do nível de espécie, mas é necessário desenvolver um conceito biológico de espécie antes de decidir se esse limite foi cruzado.

Nós iremos discutir os conceitos de espécie futuramente. Mas nesse momento nós vamos nos concentrar nos 2 conceitos mais importantes e examinar como são as evidências da evolução de novas espécies para cada um deles.

Um importante conceito de espécie é o reprodutivo, que define espécie como um conjunto de organismos que podem se reproduzir, mas que não o fazem com membros de outra espécie. O humanos são uma espécie reprodutiva diferente dos chimapanzés, isto é, eles podem se reproduzir entre eles, mas não com chimpanzés.

O outro conceito importante é de aparência fenotípica, em que um espécie é definida como um conjunto de organismos suficientemente similares entre si e diferente dos membros de outras espécies. Essa definição é menos objetiva do que a anterior. É fácil saber se os membros de 2 populações podem cruzar, mas é mais difícil saber se eles são suficientemente diferentes para serem consideradas 2 espécies distintas.

Para não deixarmos dúvidas, vamos estudar as evidências de evolução de novas espécies que se adequem a esses dois tipos de conceito de espécie.

Um caso biológico bem interessante de se comentar é o das "espécies-anel". O exemplo mais clássico é o da salamandra do gênero Ensatina que ocorre na costa oeste dos EUA. Veja o exemplo no vídeo abaixo (em inglês):



http://www.youtube.com/watch?v=PjcFSy1KCTI


A sequência de figuras abaixo mostram de uma maneira simplificada a explicação para esse fenômeno:






























"Espécies-anel" fornecem uma importante evidência da evolução, pois elas mostram que diferenças intraespecíficas podem ser grandes o suficiente para gerar diferenças interespecíficas.

Portanto, a variação natural ocorre em todos os níveis (indivíduos, populações e espécies) e pode ser grande o suficiente para produzir uma nova espécie; e isso vai contra a teoria da criação separada.

É muito importante saber que na natureza os grupos não são discretos, ou seja, não são facilmente diferenciados uns dos outros, e sem intermediários.

No próximo tópico abordaremos como novas espécies reprodutivas podem ser produzidas experimentalmente. Até lá!